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O básico sobre investimentos: Por onde começar?

Talvez você já tenha ouvido falar nessa palavra “investimentos”, ou já esteve em alguma roda de conversa em que o tema foi abordado. E se esse termo não é familiar para você, fique tranquilo, é para isso que estamos aqui. Desmistificar o que parece difícil e inalcançável. São conteúdos mais extensos, mas ao longo desse blog (e dos próximos conteúdos) farão sentido para você aprender o básico sobre investimentos. 
Ao decidir começar a investir, muitas pessoas procuram imediatamente a aplicação que rende mais. A rentabilidade, porém, é apenas uma das informações que precisam ser avaliadas.

 


Um investimento pode apresentar uma taxa atrativa e, ainda assim, não combinar com seu objetivo, com o momento em que você precisará do dinheiro ou com o risco que consegue assumir. 
Por isso, antes de escolher entre CDB, Tesouro Direto, fundos, ações ou outras alternativas, é importante conhecer algumas noções básicas sobre investimentos. 


Este é o primeiro conteúdo da nossa série. Vamos começar pelos fundamentos, passar pela renda fixa e avançar, aos poucos, para investimentos de maior risco e complexidade.


Não é preciso aprender tudo de uma vez. Vamos por partes.

O que significa investir?

Investir é aplicar dinheiro em uma alternativa financeira com a expectativa de obter algum resultado no futuro.

Esse resultado pode vir de juros, da valorização de um ativo, da distribuição de rendimentos ou de uma combinação desses fatores. Todo investimento, entretanto, possui regras, prazos, custos e riscos. É importante diferenciar três conceitos. 

importante diferenciar três conceitos:

  • Guardar: separar um valor para não gastá-lo.

  • Poupar: gastar menos do que se recebe e formar uma sobra.

  • Investir: aplicar o dinheiro poupado considerando objetivo, prazo, risco, liquidez e possibilidade de retorno. 

Nem todo valor guardado precisa ser investido imediatamente. O dinheiro de uma conta que vence nos próximos dias, por exemplo, tem uma função diferente daquele destinado a um objetivo de longo prazo.

Organize sua vida financeira antes de investir

Não é preciso esperar por uma situação financeira perfeita para começar a aprender. Antes de fazer uma aplicação, porém, vale observar três pontos.

Quanto deve ter uma reserva de emergência?

Não existe um número único que funcione para todas as pessoas. A necessidade muda conforme o valor das despesas essenciais, a estabilidade da renda, a quantidade de dependentes, as condições de saúde e a existência de outras formas de proteção.

Em vez de transformar “seis meses de despesas” em uma barreira de entrada, monte sua reserva por etapas

Entenda quanto entra e quanto sai

Conhecer sua renda e suas despesas ajuda a descobrir quanto pode ser destinado aos investimentos sem comprometer contas essenciais.

Você pode usar uma planilha, um aplicativo, um caderno ou os extratos bancários. O método importa menos do que ter uma visão realista do orçamento.

Avalie suas dívidas

Dívidas com juros elevados podem crescer mais rapidamente do que o retorno esperado de muitos investimentos. Nesses casos, renegociar ou antecipar o pagamento pode ser mais importante do que buscar rentabilidade.

Isso não significa que qualquer dívida te impeça de investir. Um financiamento organizado é diferente de uma dívida cara e descontrolada. A decisão depende do custo, das condições de pagamento e da situação financeira.

Comece uma reserva de emergência

A reserva de emergência é o dinheiro destinado a imprevistos, como uma redução de renda, um problema de saúde ou um conserto inesperado.

Para cumprir essa função, ela deve priorizar:

  • facilidade de acesso;

  • baixa oscilação;

  • possibilidade de resgate compatível com uma emergência.

O valor necessário varia conforme o custo de vida, a estabilidade da renda e o número de pessoas que dependem daquele orçamento. Em vez de esperar conseguir guardar uma grande quantia, pode ser mais realista começar com uma meta menor e ampliá-la gradualmente.

Defina para que o dinheiro será usado

Imagine uma pessoa com R$ 500 disponíveis:

  • R$ 250 para imprevisto;
  • R$ 100 para uma viagem daqui a 18 meses;
  • R$ 150 para um objetivo de longo prazo.

Embora o valor seja o mesmo, cada parte tem uma finalidade diferente.

A reserva precisa estar acessível. A viagem tem uma data aproximada. Já o objetivo de longo prazo pode admitir outra estratégia, desde que a pessoa conheça e aceite os riscos.

Esse exemplo mostra por que não existe um único investimento adequado para todas as situações. O objetivo vem antes da escolha do produto.

Entre os objetivos financeiros possíveis estão:

  • formar uma reserva;
  • pagar um curso;
  • fazer uma viagem;
  • comprar um imóvel;
  • preparar a aposentadoria;
  • construir patrimônio no longo prazo.

Quanto mais claro for o objetivo, mais fácil será avaliar prazo, liquidez e risco.

Quando você precisará do dinheiro?

Depois de definir o objetivo, pense no prazo.

De maneira geral, os objetivos podem ser separados em:

  • curto prazo: dinheiro que poderá ser usado em breve ou a qualquer momento;
  • médio prazo: recursos destinados aos próximos anos;
  • longo prazo: valores reservados para planos mais distantes.

Essa divisão é apenas uma referência. O mais importante é comparar a data do objetivo com as condições do investimento.

Antes de aplicar, verifique:

  • o vencimento;
  • a existência de carência;
  • o prazo para receber o dinheiro após o resgate;
  • a possibilidade de retirada antecipada;
  • o que acontece se você precisar retirar antes da hora.

Uma aplicação de prazo longo pode não servir para uma despesa próxima, mesmo que apresente uma taxa maior.

Conceitos básicos que todo investidor deve conhecer

Rentabilidade 

Rentabilidade é a variação do valor investido em determinado período.

Se R$ 1.000 renderem 10%, o valor bruto será de R$ 1.100. Ainda será necessário verificar a existência de impostos, taxas ou outros custos.

Por isso, observe a diferença entre:

  • rentabilidade bruta: antes dos custos e impostos;
  • rentabilidade líquida: depois dos custos e impostos;
  • rentabilidade nominal: variação apresentada pelo investimento;
  • rentabilidade real: resultado considerando o efeito da inflação.

Rentabilidade passada também não representa garantia de resultado futuro. 
 
Risco 

Risco é a possibilidade de o resultado ser diferente do esperado, inclusive com perda de parte do dinheiro.

Entre os principais riscos estão:

  • crédito: o emissor não cumprir o pagamento;
  • mercado: o preço do investimento oscilar;
  • liquidez: não conseguir resgatar ou vender facilmente;
  • inflação: o retorno não preservar o poder de compra;
  • concentração: manter recursos excessivamente expostos ao mesmo emissor ou mercado.

Assumir mais risco não garante uma rentabilidade maior. Significa aceitar uma possibilidade maior de resultados diferentes do esperado. 
 
Liquidez

Liquidez é a facilidade e a velocidade para transformar um investimento em dinheiro disponível.

Uma aplicação pode permitir resgate frequente, exigir um período de carência ou manter o dinheiro aplicado até o vencimento.

Também é importante saber que liquidez não significa ausência de perda. Um ativo pode ser vendido rapidamente, mas por um preço inferior ao esperado. 
 
Inflação

A inflação reduz o poder de compra ao longo do tempo. Por isso, não basta observar quanto o investimento cresceu. É necessário avaliar se o resultado acompanhou ou superou o aumento dos preços.

Se uma aplicação tiver retorno nominal de 8% em determinado período e a inflação for de 6%, o ganho de poder de compra será bem menor do que os 8% apresentados. 
 
Diversificação

Diversificar significa distribuir os recursos entre diferentes fontes de risco.

Essa distribuição pode considerar:

  •  
  • instituições ou emissores;
 
  • prazos;
  • setores;
  • classes de ativos;
  • mercados e regiões.

Ter muitos produtos não significa necessariamente ter uma carteira diversificada. Vários investimentos podem estar expostos ao mesmo emissor ou ao mesmo tipo de risco.

A diversificação ajuda a reduzir a concentração, mas não elimina a possibilidade de perdas. 
 
 
Custos e impostos

O resultado exibido por um investimento nem sempre é o valor que ficará com o investidor.

Dependendo do produto, podem existir:

  • Imposto de Renda;
  • IOF;
  • taxa de administração;
  • taxa de performance;
  • custódia;
  • corretagem;
  • outros custos operacionais.

  •  

Ao comparar investimentos, observe sempre o resultado líquido e as regras vigentes.

Renda fixa significa investimento sem risco?

Não.

Na renda fixa, as regras usadas para calcular a remuneração são conhecidas no momento da aplicação. A taxa pode ser definida antecipadamente ou depender de indicadores, como juros ou inflação.

Isso não significa que o investimento esteja livre de riscos. A renda fixa pode apresentar:

  • risco de crédito;
  • dificuldade de resgate;
  • perda de poder de compra;
  • oscilação de preço;
  • resultado diferente em caso de venda antecipada.

Na renda variável, não é possível determinar antecipadamente qual será o retorno. É o que acontece, por exemplo, com ações negociadas na bolsa.

Portanto, renda fixa não é sinônimo de ausência de risco, assim como renda variável não representa um único nível de risco.

O que é perfil de investidor?

 

O perfil de investidor é uma avaliação que considera fatores como:

  • objetivos;
  • prazo;
  • conhecimento financeiro;
  • experiência;
  • situação financeira;
  • necessidade de liquidez;
  • tolerância a oscilações e perdas.

Os perfis costumam ser classificados como conservador, moderado e arrojado ou agressivo.

Essa classificação não é permanente. O perfil pode mudar conforme a experiência, os objetivos e o momento de vida. Além disso, uma mesma pessoa pode tomar decisões diferentes para objetivos distintos.

Mesmo quando um investimento aparece como compatível com o perfil, é importante ler suas condições e entender como ele funciona.

É possível começar com pouco dinheiro?

Sim. Existem investimentos que aceitam valores iniciais baixos, embora as condições variem entre produtos e instituições.

O valor escolhido não deve comprometer:

  • contas essenciais;
  • despesas previstas;
  • pagamento de dívidas;
  • necessidades imediatas..

Começar com pouco pode ajudar a criar regularidade, conhecer as plataformas e acompanhar como os investimentos funcionam.

O mais importante é manter expectativas realistas. A construção de patrimônio depende de valor investido, regularidade, tempo, custos, riscos e resultados obtidos

Checklist antes de investir

Antes de fazer uma aplicação, responda:

  1. 1.Qual é o objetivo desse dinheiro?

  1. 2,Quando pretendo utilizá-lo?

  1. 3.Posso precisar resgatar antes?

  1. 4.Como a rentabilidade é calculada?

  1. 5.O resultado apresentado é bruto ou líquido?

  1. 6.Quais riscos estão envolvidos?

  1. 7.Posso perder parte do valor?

  1. 8.Existe carência ou vencimento?

  1. 9.Quais custos e impostos são cobrados?

  1. 10.Quem emite ou administra o investimento?

  1. 11.Existe algum mecanismo de proteção?

  1. 12.Essa proteção possui condições e limites?

  1. 13.O produto combina com meu objetivo e prazo?

  1. 14.Eu entendi como ele funciona?

Se você não consegue explicar o investimento com palavras simples, vale pesquisar mais antes de aplicar.

Erros comuns de quem está começando

Entre os erros mais frequentes estão:

  • olhar apenas para a rentabilidade;
  • aplicar a reserva em algo difícil de resgatar;
  • investir dinheiro que será necessário em breve;
  • seguir recomendações sem entender o produto;
  • acreditar em retornos altos e garantidos;
  • concentrar todos os recursos em uma única alternativa;
  • ignorar impostos e custos;
  • tomar decisões por impulso diante de oscilações.

Desconfie de propostas que prometem retorno elevado, rápido e garantido. Verifique sempre a instituição, o canal utilizado e as condições da oferta.

Como começar a investir?

Não existe uma aplicação ideal para todas as pessoas, mas existe uma sequência que ajuda a tomar decisões mais conscientes: 

  1. 1.Organize receitas, despesas e dívidas.

  1. 2.Comece a formar uma reserva.

  1. 3.Defina o objetivo do dinheiro.

  1. 4.Estabeleça um prazo.

  1. 5.Avalie a necessidade de liquidez.

  1. 6.Conheça seu perfil.

  1. 7.Pesquise riscos, custos e impostos.

  1. 8.Comece com um valor compatível com seu orçamento.

  1. 9.Acompanhe os resultados sem agir por impulso.

  1. 10.Revise a estratégia quando sua vida ou seus objetivos mudarem.

Investir é uma jornada

Para começar, você não precisa conhecer todos os produtos disponíveis. O mais importante é entender os critérios usados para avaliá-los:

  • objetivo;
  • prazo;
  • risco;
  • liquidez;
  • rentabilidade;
  • inflação;
  • custos;
  • Diversificação. 

Esses conceitos serão retomados ao longo de toda a série.

Nos próximos artigos, vamos conhecer os diferentes tipos de renda fixa, avançar para investimentos de risco moderado e, depois, entrar no universo das ações e dos ativos de risco muito alto.

Continue a jornada: entenda o que é renda fixa, quais riscos continuam existindo e por que ela costuma ser o ponto de partida para muitos investidores.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente educativo e não representa recomendação individual de investimento. Avalie as características, os custos e os riscos de cada produto antes de investir. 
Nos vemos no próximo conteúdo.